domingo, 22 de março de 2009


Av. Antônio Carlos, † 16/03/2009

A avenida Antônio Carlos está passando pelo já conhecido por nós processo de duplicação de suas vias de circulação. Em breve a avenida será uma "via rápida", um elo de conexão que se pretende eficiente entre o centro e a mais nova área de expansão/acumulação-do-mercado-imobiliário da metrópole belzontina: a Zona Norte - onde se localiza a nova Sede Administrativa do Governo do Estado, o Aeroporto de Confins e onde aparece a cada dia um novo empreendimento imobiliário (condomínios de luxo, centros comerciais, etc.). Os motoristas certamente andam ansiosos pela conclusão da obra, pelas pistas novas em folha que os guiarão até o lugar aonde realizam o dinheiro em suas tediosas jornadas de trabalho. Uma cidade asfáltica, espaço de circulação de mercadorias. A duplicação da avenida traz ares de progresso ao Curral Del Rey. O que poderia afinal ser mais progressista do que mais pistas para mais carros?

Uma nova avenida custa caro - e nem estou falando, nesse caso, dos valores das licitações para as obras. Uma avenida maior e mais rápida exige que moradores sejam inconvenientemente expulsos de suas moradias, pois “enfeiam” o espaço e "atravancam o progresso da cidade" (e pra onde vão? pra periferias tão distantes do centro que condicionam todo o chamado "tempo livre" a viagens intermináveis em ônibus lotados). Mais pistas custam os canteiros centrais e suas árvores, como as da foto (tão-somente lamentadas por cruzinhas de pau). Uma avenida nova, padrão internacional, custa o precioso espaço da cidade - já tão distante de atender às reais necessidades do cidadão - que deixará então de ser espaço público em seu sentido amplo e será destinado à circulação das propriedades particulares dos possuidores de automóveis. Uma via mais rápida de circulação certamente cobrará seu preço com muitas vidas humanas levadas pelos “acidentes” de trânsito. [“Acidentes” que no Brasil são a segunda maior causa de morte, só perdendo para os homicídios. Só em Belo Horizonte, em um único ano (2006), 704 pessoas morreram nestes “acidentes”]. Uma Antônio Carlos duplicada custará muito ainda ao futuro, às gerações vindouras que verão as largas avenidas de hoje serem novamente pequenas para comportar o crescimento econômico (pra quem?) e o "sucesso estrondoso" da indústria automobilística (injustamente alavancadas por incentivos fiscais de políticas imediatistas e descompromissadas com o bem-estar das cidades).

Cabe perguntar (afinal o questionamento leva no mínimo à dúvida e ao incômodo): a quem serve uma duplicação dessas?



Simultâneamente publicado no blog do zine Até o Centro: aczine.wordpress.com

sábado, 21 de março de 2009

Bicicletada de Março - 1 ano de Bicicletada em Belo Horizonte!!!


Há um ano atrás eu mandei um email para muitos dos meus conhecidos e amigos convocando para a primeira Bicicletada de BH. Reproduzindo os modelos de Massa Crítica praticados no mundo inteiro (onde uma massa de bicicletas ocupa as vias normalmente monopolizadas por automóveis) vários ciclistas e bicicleteiros começaram e seguiram por 12 meses pedalando todas as últimas sextas-feiras do mês por BH - não só se divertindo e dando novos significados pras ruas (para além de "via de tráfego automotivo" e "local de especulação", entre outros) mas também mostrando que um novo transporte e uma nova mentalidade são possíveis e desejáveis.

Nesses 12 meses vi muita gente aderindo ao uso de bicicleta como meio de transporte, os movimentos e políticas pró-bicicleta crescerem no mundo inteiro, os debates sobre o assunto acontecerem com cada vez mais frequência e urgência e a Bicicletada bombar cada vez mais! Mas infelizmente vi também ciclistas morrerem e serem acidentados no trânsito, a venda de autómoveis aumentar (!!!), os congestionamentos aumentarem na mesma proporção, as avenidas serem duplicadas (para o progresso de quem, afinal?! que eu saiba as classes sociais menos abastadas andam de ônibus e eles não causam consgestionamento!), os favelados serem expulsos de suas casas e as árvores serem cortadas por conta dessas duplicações, vi o clima dar sinais sérios de instabilidade. Inclusive essa semana um casal de idosos morreu em BH, presos dentro de um carro numa enchente. Agora pensem comigo: carros são os grandes emissores de gases que alteram o clima, são os responsáveis pelo asfaltamento e impermeabilização dos solos e nesse caso serviram como uma gaiola que prendeu os idosos - não chamem essas duas mortes de fatalidade! (E eles são números desprezíveis nas estatísticas de mortos e acidentados por automóveis).

A Bicicletada não é um movimento bonitinho, que busca dar uma aura de ecologicamente corretos para seus participantes. A Bicicletada quer chamar a atenção para um problema que atinge a TODOS mas que só alguns poucos são culpados (e muitos a quem envio esse email carregam essa culpa). Se você anda de carro, não se ponha no papel de vítima indefesa incapaz de mudar de situação - construa suas alternativas! É por isso que a Bicicletada existe. Não queremos prêmios, nem elogios, nem matérias rasas e espetaculosas em jornais. Queremos uma cidade mais humana e sensata onde um carro seja visto como é de fato: um desastre ecológico, energético e social.

Vida longa às Bicicletadas!!! Ano que vêm quero ter mais motivos para comemorar.

Bicicletada de aniversário: sexta-feira, dia 27/3 na praça da Estação. Concentração às 19hs.

Grande abraço (a gente se vê nas ruas!)


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

POSIÇÕES SITUACIONISTAS A RESPEITO DO TRANSITO

POSIÇÕES SITUACIONISTAS A RESPEITO DO TRANSITO

1

O erro de todos os urbanistas é considerar o automóvel individual (e seus subprodutos, como a motocicleta) essencialmente como um meio de transporte. A rigor, ele é a principal materialização de um conceito de felicidade que o capitalismo desenvolvido tende a divulgar para toda a sociedade. O automóvel como bem supremo de uma vida alienada e, inseparavelmente, como produto essencial do mercado capitalista está no centro da mesma propagando global: ouve-se com freqüência, este ano, que a prosperidade econômica norte-americana dependerá em breve do êxito do slogan: “Dois carros por família”.

2

O tempo gasto nos transportes, como bem observou Le Corbusier, é um sobre-trabalho que reduz a jornada de vida chamada livre.

3

Precisamos passar do transito como suplemento do trabalho ao transito como prazer.

4

Querer refazer a arquitetura em função da existência atual, maciça e parasitaria dos carros individuais é deslocar os problemas com grave irrealismo. É precisa refazer a arquitetura em função de todo o movimento da sociedade, criticando todos os valores efêmeros, ligados a formas de relações sociais condenadas (a família é a primeira delas).

5

Mesmo que seja possível admitir provisoriamente, nem período de transição, a divisão absoluta entre zonas de trabalho e zonas de habitação, será necessário ao menos prever uma terceira esfera: a da vida em si (a esfera da liberdade, dos lazeres – a verdade da vida). Sabe-se que o urbanismo unitário não tem fronteiras; pretende constituir uma unidade total no meio urbano no qual as separações do tipo trabalho-lazer e coletivo-vida privada serão dissolvidas. Mas, antes, a ação mínima do urbanismo unitário é o terreno de jogos estendido a todas as construções desejáveis. Esse terreno terá o grau de complexidade de uma cidade antiga.

6

Não se trata de combater o automóvel como um mal. Sua exagerada concentração nas cidades é que leva à negação de sua função. É claro que o urbanismo não deve ignorar o automóvel, mas menos ainda aceita-lo como tema central. Deve trabalhar para o seu enfraquecimento. Em todo o caso, pode-se prever sua proibição dentro de certos conjuntos novos assim como em algumas cidades antigas.

7

Quem julga que o automóvel é eterno não pensa, até do mero ponto de vista técnico, nas futuras formas de transporte. Por exemplo, certos modelos de helicópteros individuais que estão sendo agora testados pelo exercito dos Estados Unidos encontrar-se-ão ao alcance do publico talvez daqui a menos de vinte anos.

8

A ruptura da dialética do meio humano em favor dos automóveis (há projetos de abertura de auto-estradas em Paris que acarretarão a destruição de milhares de moradias, enquanto a crise habitacional se agrava cada vez mais) disfarça a própria irracionalidade sob explicações pseudopráticas. Mas sua verdadeira necessidade pratica corresponde a um determinado estado social. Os quem os dados do problema permanentes querem, de fato, crer na permanência da sociedade atual.

9

Os urbanistas revolucionários não se preocuparão apenas com a circulação das coisas, nem apenas com homens paralisados num mundo de coisas. Tentarão romper essas cadeias topológicas por meio da experimentação de terrenos, para que os homens transitem pela vida autentica.

Guy-Ernest Debord

IS nº 3, dezembro de 1959

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Repensando a Bicicletada BH



Vamo começar 2009 na atividade!

Sábado agora, dia 10, rola no Espaço Ystilingue (Sobreloja 35 do saudoso Ed. Maletta, na Augusto de Lima, Centro de BH) o encontro "Repensando a Bicicletada BH". Vamos discutir as estratégias, objetivos e motivações da nossa Bicicletada e buscar maneiras de otimizar nossa massa crítica na luta pela democratização das ruas!

Se você se interessa em diminuir o número de automóveis nas ruas, incentivar alternativas de transporte sustentáveis ou simplesmente andar de bicicleta, cola lá! Vamo engrossar o caldo da Bicicletada!

Vamos exibir dois vídeos, "A sociedade do automóvel" e "Bicicletada BH" e abrir para a discussão na sequência.

Vamo que vamo que o bicho tá pegando!
é nós!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Apocalipse Motorizado

A cada três minutos acontece um acidente envolvendo carros na cidade de Belo Horizonte.

Vinte mil pessoas são mortas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, mas números não oficiais apontam quase o dobro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais de um milhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nestes acidentes!

As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.

O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas...Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.

Contudo, até então nenhuma reflexão contundente sobre o papel desumano dos automóveis havia obtido seu devido espaço no Brasil, nenhuma crítica radical contra essas máquinas moedoras de carne humana.

Mais um acidente de trânsito acabou de acontecer em Belo Horizonte.

Para baixa-lo basta acessar o link abaixo, que é do CMI-Brasil.

http://brasil.indymedia.org/media/2008/04//417244.pdf

Divirtam-se!

sábado, 1 de novembro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

BICICLETADA DA PRIMAVERA



CLIQUE PARA AMPLIAR


um comercial inglês....

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Bicicletada da Primavera!!

Bicicletada da Primavera


Salve salve rapaziada! Tivemos uma idéia numa discussão da comunidade da Bicicletada de fazer uma Bicicletada temática esse mês. A idéia que pipocou foi uma Bicicletada da Primavera!!! Então aproveitando que esse mês a Bicicletada é no último dia do mês (31) vamos aproveitar o tempo que nos é dado e semear flores nas nossas bicicletas, nos nossos cabelos e corpos, nos canteiros e no cantinhos sem asfalto?! Vamos encher a Bicicletada de flores pra comemorar a primavera que ainda é época de esperança e natureza?!

Tamo junto nessa? Vamo florear????

Poeminha de Drummond pra inspirar:

"Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio."


Carlos Drummond de Andrade- A flor e a náusea

Abráaaaaaaaaaço!!!!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Bicicletadas de Setembro

Salve salve bikers!

Gostaria de lembrar que nesse mês de Setembro teremos duas bicicletadas: uma dia 22 de Setembro, dia Mundial Sem Carro, que vai cair numa segunda-feira e outra dia 26, na mesma semana, a boa e velha Bicicletada da última sexta do mês! Do caralho né? A primeira, dia 22, tá marcada com concentração às 18hs na Raul Soares. A de sexta, como sempre, na Praça da Estação, mesmo horário.

To botando fé que a Bicicletada do dia 22 vai ser um evento maior do que geralmente é a Bicicletada tradicional e que lá vai ser uma ótima oportunidade de convocar os ciclistas que ainda não frequentam para participar dela! Quem puder agiliza uns panfletos, falando mais ou menos o que é a Bicicletada, que ela acontece toda última sexta do mês na Praça da Estação e isso e aquilo outro. Tira uns 20, 30 xerox e já é, leva pra distribuir dia 22. Quanto mais gente fizer melhor! (ah, se puder fazer panfletos pros motoristas seria massa também).

Outra coisa que eu queria ressaltar, dessa vez mais que nunca, é a falta de originalidade da moçada na hora de ir pra Bicicletada! Falo até mesmo por mim. Tá certo que muita gente já sai do trampo ou da aula e vai pra lá e não tem tempo de agilizar nada, mas pelo menos as plaquinhas nós temos que usar pra dar a entender as intenções da Massa. Mas ainda acho que devemos ir além: Bicicletadas temáticas, fantasias, alegorias, instrumentos musicais, faixas, qualquer um desses ajuda a destacar o grupo e deixar a coisa ainda mais divertida. Vamos nos propor a pensar sobre isso?

Vamo que vamo que é tudo nosso!
grande abraço!